Desconstruindo tabus da sexualidade

Duas coisas me incentivaram a postar sobre isso: a Jornada de Cinema do GEFAC (Grupo de Etnia e Folclore da Academia de Coimbra) e o filme Hysteria, da diretora Tanya Wexler. O que eles têm em comum? Sexualidade.

A Jornada de Cinema, nesse dia, apresentou um documentário português, de Rita Alcaire e Rodrigo Lacerda, chamado “Das 9 às 5”; o filme é sobre trabalho sexual – o que não se reduz à prostituição (masculina e feminina), mas também incluiu atores e atrizes, vendedores de sex shop, produtores de filme pornô e dançarinos/as. E a parte mais legal é que trouxeram à tona uma realidade que desmascarava aquele lado negativo que a mídia conservadora frequentemente nos mostra: não eram prostitutos e prostitutas, atores e atrize, e vendedores porque não tinham outra “saída”, por falta de oportunidades na vida… Trabalhavam com isso porque queriam, encaravam o corpo como um veículo de trabalho como qualquer outra força vendida no sistema capitalista, e reclamavam seus direitos e o reconhecimento, uma vez que se tornava difícil a inserção social pela não-aceitação e a estigmatização do que faziam. Como um dos prostitutos (esqueci o nome dele) disse na marcha de protesto pelo reconhecimento do trabalho sexual: “Vivemos numa sociedade em que nossos serviços são utilizados, mas não são respeitados” – posso ter confundido uma palavra ou outra, mas era por aí, vocês podem conferir no documentário.
Já o filme Hysteria conta a invenção do vibrador, na Inglaterra do século XIX. Pois é, XIX. Criado para desestressar as mulheres, que eram sempre categorizadas como quem sofre de “histeria”, mas que na verdade eram apenas sexualmente frustradas. O filme é muito curioso porque trata o assunto com tanta naturalidade que chegua a pasmar. Um tapa na cara, como quem diz “acorda, isso é muito natural”. Há cenas em que uma das personagens diz: “Você inventou um objeto maravilhoso, que não faz mal a ninguém”. E no final, ainda mostram os primeiros vibradores (que pareciam aquelas maquinas de furar parede pra por prego) embalados em lindos bauzinhos sendo dados de presentes à várias pessoas, inclusive a rainha.
Cheguei onde eu queria chegar.

SEX SHOP SIM! PARA HOMENS E MULHERES!

Existe um tabu tão grande, mas tão grande ao redor desse assunto, que às vezes até me pergunto se todo mundo é tão puritano quanto tentam parecer. Por quê isso? Ninguém faz sexo não, é? Ninguém tem orgasmo, desejos, fantasias, curiosidade? Ah vá. Claro que não, são todos puritanos e ignoram veementemente os instintos naturais humanos enquanto animais. E, sério, se você não transa, você não sabe o que está perdendo.
Ir ao sex shop é coisa de corajosos, porque todos comentam e se alguém da família ver, a situação pode ficar difícil (não existiria essa família se nenhum deles tivesse transado com alguém, só pra lembrar). As mulheres acham constrangedor ir conhecer os produtos, têm vergonha de comprar vibradores, artigos para aumentar o prazer e qualquer coisa do tipo. POR QUÊ? ? ? Santa Babaquice, por quê? São coisas que não fazem mal a ninguém, não machucam ninguém, não ofendem ninguém, são brinquedos como um videogame ou computador, mas que vão mexer com o teu corpo pra te dar prazer. Então qual é o problema em usar? O máximo que pode acontecer é você ter uma vida mais prazerosa, sozinho ou a dois. Parece medonho, não? Uh, que assutador e indecente.

Se houvesse menos falso moralismo acerca desse assunto, seria muito mais simples para os jovens comprarem preservativos. Jovens que estão iniciando a sua vida sexual normalmente têm vergonha dos pais ou da avacalhação dos amigos (apesar do sexo ser a aventura extrema que alguém pode ter nessa idade) e deixam de comprar preservativos nas farmácias ou mesmo pegá-los nos postos de saúde (onde são distribuídas gratuitamente); meninas então… deixam de comprar o anti-concepcional ou, o que é pior, comprar a pílula do dia seguinte por puro constrangimento. Olha o perigo por conta de uma estigmatização social, uma idiotice coletiva estipulada e espalhada. Se essas coisas existem são pra ser usadas, ora bolas.

Seja homem comprando óleo, lubrificante e brinquedos ou mulheres comprando lingeries e vibradores, não importa: você não deve nada a ninguém, não está fazendo mal a ninguém e está sendo muito mais feliz. Então, preciso dizer mais alguma coisa? Feio é ser ignorante! Ser feliz é essencial 🙂

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Marcha das Vadias deixa a dica!!
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