Melhorando a educação e incentivando o magistério… só que não

Hoje, dia 2 de Maio de 2013, saiu uma notícia na Folha de São Paulo (clique aqui pra ver) explanando sobre o novo programa de ação acatado para incentivar  o desempenho de professores e alunos nas áreas de matemática, biologia, química e física. Citando o texto da matéria, “as quatro matérias são as que possuem mais problemas de qualidade, de acordo com o próprio governo federal”. E será que essa proposta é boa mesmo?

 Proposta: o lado do professor

Teoricamente, essa proposta está ótima. Sim, concordo que apostar no aprimoramento e conceder mais estudos aos professores que lecionam é uma ótima ideia. Aí vem a segunda parte e estraga tudo: “só será concedido se houver a comprovação de que seus estudantes melhoraram”. Por que estraga?

Seria justo cobrar um resultado SE essa melhoria dependesse EXCLUSIVAMENTE do professor. Mas sabemos que não é esse o caso! Não podem ser desconsiderados os fatores externos. Como pode o professor ter o foco de seus alunos numa sala de aula onde faltam cadeiras, com um calor infernal, com um quadro caindo aos pedaços, faltando recursos, alunos com problemas em casa, professor insatisfeito com o próprio ganho. Como isso depende exclusivamente do professor?

Mais uma vez, nosso maravilhoso ministro Mercadante jogará nas costas do professor a responsabilidade de melhorar seu próprio salário, embora a realidade não corresponda. Saindo pela tangente como quem diz “agora depende só de você”.

A segunda parte da proposta parte diz respeito ao aluno e surgiu, vocês não vão acreditar!, desse quadro aqui:

 Justificativa: incentivar o magistério

Claro que estamos todos surpresos com o fato de ninguém querer ser professor num país em que a profissão é desrespeitada, desvalorizada e é quase uma ocupação de risco. Depois de ver tantas greves que duraram meses ao redor do Brasil, de saber que um jogador de futebol ganha astronomicamente mais, de ver um político dizer que “professor deve trabalhar por amor, não por dinheiro” e disseminada a ideia de que qualquer profissão é, a priori, menos estressante… Não sei como ele esperava que isso aumentasse a procura por licenciaturas!

E a proposta para resolver esse quadro é:

Proposta 2: os alunos

Dessa vez, ainda mais pedagógico e lúcido, Mercadante (o Sábio), joga a responsabilidade nas costas do aluno como quem diz: “você está recebendo incentivo em dinheiro para ser bom nisso, então se vira”.

Sim, tendo aulas de reforço e recebendo R$ 150,00 do governo, eles escolheriam o magistério sem sombra de dúvidas. E claro que o fato de serem crianças e adolescentes não implicaria em nenhum gasto impensado do dinheiro, de modo algum. E claro que o restante da população, que pagará por esse programa descabido e sem planejamento, ficará muito contente em destinar seu dinheiro para uma medida imediatista e sem aparentes efeitos plausíveis.

Mercadante, o mesmo político que não dialogou com os professores do Brasil inteiro em mais de 3 meses de greve; o mesmo político que apresentou uma proposta pior que o quadro atual, pelo qual os professores pediam melhorias; o político que teve a cara de pau de apresentar esse programa, jogando a responsabilidade dos déficits do ensino público nas costas dos alunos e dos professores.

Acho que o magistério tem um arquinimigo. E os alunos também.

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