Medievalismo brasileiro 2.0

Não preciso nem pretendo repetir jargões como “democracia mascarada” e “tá tudo errado” pra acusar que vivemos, ainda e atualmente, num cenário político ainda muito parecido com o medieval. E nem é tão disfarçado assim. Duvida?

Política: a realeza tá no sangue
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Levantamento feito pelo site Congresso em Foco e que será publicado no livro “O que esperar do novo Congresso: perfil e agenda da legislatura 2007/2011” revela que pelo menos 122 parlamentares, entre os titulares e suplentes que assumiram o cargo na atual legislatura, são parentes de políticos. Entre os parentes estão 92 deputados e 30 senadores que são pais, mães, filhos, irmãos, netos, avôs, sobrinhos e cônjuges de políticos tradicionais.

  • Os exemplos mais escancarados que temos estão no Nordeste:
  1. BAHIA: ACM Neto (DEM), prefeito e pedra-no-sapato de Salvador (BA) desde o regime militar. É neto do senador, ex-governador e ex-ministro Antonio Carlos Magalhães (ACM) e primo do deputado federal Paulo Magalhães (DEM-BA). Seu pai, Antonio Carlos Magalhães Júnior, preside a Rede Bahia (principal grupo de comunicação baiano) e foi senador de 2000 a fevereiro de 2003, após assumir a vaga de ACM, que renunciou ao cargo.
  2. CEARÁ: Ciro Gomes (PSB-CE), ex-marido da senadora Patrícia Saboya, irmão do governador do Ceará, Cid Gomes (autor daquela maravilhosa e infeliz declaração de que professor tem que trabalhar por amor), e do deputado estadual Ivo Gomes.
  3. MARANHÃO: José Sarney (PMDB-AP), pai da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) e do deputado Sarney Filho (PV-MA). Clóvis Fecury (DEM-MA), filho e herdeiro político do ex-deputado e atual suplente da senadora Roseana Sarney, Mauro Fecury. Família no poder desde 1966, início da Segunda República na história maranhense.

Fonte: 24h Midia News

…e o sangue é azul!
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O deputado federal mineiro Bonifácio Andrada é do tempo do império. Seu trisavô, José Bonifácio de Andrada e Silva, é o cara que convenceu o então príncipe regente Pedro a dizer ao povo que ficava. Desde então, a família conta com 15 deputados e senadores, 8 ministros de Estado e 2 do Supremo, além de governadores, prefeitos e vereadores. (Fonte: Revista Superinteressante, ed. 320, Julho de 2013).
Aos 80 anos, Bonifácio diz que não tentará o décimo mandato consecutivo em 2014. Ele garante, porém, que o ciclo dos Andrada está longe de terminar. “Um dos meus filhos vem aí. São três possíveis candidatos”, avisa o deputado, filho do ex-presidente da Câmara e ex-líder do governo Geisel na Câmara Zezinho Bonifácio, neto do ex-deputado e diplomata José Bonifácio de Andrada e Silva e integrante da sexta geração de políticos da família, iniciada pelos irmãos José Bonifácio, Antônio Carlos e Martim Andrada. (Fonte: Blog do Prof. Evaldo e Amigos – Os Andrada: uma família no congresso brasileiro há 190 anos). 

 

Clero, nobreza e povo

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Aprendemos na escola que, no sistema medieval, essa era a casta. A nobreza controlava o poder e o território, o clero mantinha a nobreza e controlava o povo e o povo se matava para bancar ambas as classes.
Atualmente encaramos as nobres famílias ocupando cargos since always e mantendo seus territórios (como Maranhão-Sarney, Ceará-Gomes, Bahia-Cmagalhães e São Paulo-Tatto, no interior), o clero sendo usado para manter esses cargos (a figurinha política mais asquerosa e cada vez mais comum, atualmente, é aquele “falso profeta” que usa da grande parcela de fiéis e religiosos na população brasileira para arrecadar votos para si ou seus aliados financeiros nas pastas públicas) – o Datafolha realizou uma pesquisa no evento Marcha para Jesus, da cidade de São Paulo, para pesquisar se os candidatos indicados pelos pastores são ou não aceitos pelos fiéis e identificou que a grande maioria votaria ou pensaria em votar em quem o pastor indicar. – e o povo, como sempre, carregando nos ombros a base dessa pirâmide.

 

Casamento, aliança e riqueza: ainda moeda de troca

Outra característica sincera e notável da época medieval era a utilização do casamento como moeda de troca, ainda hoje executado. Nobreza não casava com povo. Será que o cenário mudou?
Considerando o quadro de famílias apresentado acima que reina na política brasileira; considerando as famílias de banqueiros (não só aqui no Brasil, mas que ocorre por todo o mundo); considerando o domínio de 70% da mídia brasileira por parte de apenas 6 famílias… minha conclusão não pode ser outra. Dinheiro, religião e poder acordados numa troca de alianças. Continua sim medieval.
Nunca vi o casamento como o sonho da família, vestido, véu, flor e alianças. Sempre vi como incentivo fiscal ou gasto desnecessário para o que de fato é no papel. Mas a verdade é que por trás das festividades do povo, entre a nobreza moderna continua sendo uma moeda de troca para conseguir aliados, nome, dinheiro e a manutenção do poder contínuo.

 

Quem me conhece sabe que sou aficionada pelo tema medieval, mas esse nível já é “vandalismo”.

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Um comentário

  1. Olhando por um ângulo que expõe as partes terríveis que dão até arrepios da realidade brasileira. Eu mesmo não sabia que a monarquia estava semi-instalada com a galera do império e tudo o mais, junto da oligarquia. Jurava que vivíamos numa democracia e que eu era livre pra escolher quem me governa!
    Dizem que uma revolta só se torna uma revolução quando dá certo. Precisamos de uma revolução dos informados e conectados pra ontem!

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