O Brasil em movimento: da revitalização do Estado de Ruína

Olá, pessoal! Esse texto é de um colaborador, não é meu. Não vou introduzir nosso participante, porque ele mesmo há de fazê-lo. Esse texto é a primeira parte de uma sequência que será dada ao tema “Brasil em Movimento” e serão todas postadas aqui futuramente, de autoria do mesmo participante. Segue o texto e aproveitem a leitura!

PS: não fiz nenhuma alteração para o “nosso português”, texto original.

Introdução

A pedido da autora deste blogue, deixo o meu contributo a um tema sobre o qual me parece essencial que a sociedade brasileira se debruce: o narcotráfico e as estruturas de poder.
Primeiro que tudo, apresento-me. Chamo-me Rui, cidadão português, e, por um curto espaço de tempo, visitante da República Federativa do Brasil. Agora, um balanço da minha passagem.
Durante o mês de Junho várias praças e ruas de várias cidades do país se encheram de rostos e pernas, mobilizados por uma consciência política tão antiga como aquela aquando da invasão do territória pelas naus – num momento de cunho claramente imperialista – do Reino de Portugal. De lá para cá, muitas coisas resistiram à fúria popular. Mas continuando: por todo o lado ouvíamos falar de um Brasil novo, de um momento de viragem nas expectativas do povo quanto às suas condições de vida e na representatividade do poder político. Também eu estive na rua e senti na pele toda a frustração que corrói a mais elementar esperança no progresso.
O povo brasileiro foi protagonista de uma das histórias mais ricas no panorama sul-americano, e mundial, durante todo o século XX e, pelos vistos, continua a exigir o seu lugar no debate político e nas ações reivindicativas de rua. E assim se faz a História que lemos (ou que nos deveriam ensinar) nos manuais escolares. Mais de meio milénio após a “Descoberta” do Brasil, eis-nos quase impelidos a pensar nos vários problemas que persistem e tardam a resolver-se. No momento em que escrevo estas palavras outras ações se promovem e várias discussões se travam nas redes sociais e nos media.

Que tem todo este palavreado a ver com o narcotráfico, perguntais-me. Responderei: tudo!

Marx explica!

 marx-brasil

Para nos concentrarmos nesta questão teremos que começar por fazer uma caracterização do narcotraficante. Indivíduo de sexo masculino, predominantemente citadino (áreas periféricas), tendencialmente não-branco, oriundo de classe baixa (baixa escolaridade, baixa segurança, baixo rendimento, baixa empregabilidade…) e, acima de tudo, espectador deste verdadeiro Circo apresentado pelos partidos daquilo a que podemos chamar o arco do Poder (PMDB, PSDB, PT, DEM,…), os braços armados do mesmo, e os meios de comunicação mais consolidados. Falamos, portanto, de um indivíduo em que todos os factores sociais e económicos trabalham em conjunto para o sucesso e a auto-realização…no Narcotráfico!

Porque não somos todos narcotraficantes, então? Bom…Em primeiro lugar nem todos somos homens, bem pelo contrário. Em segundo, para entrar nesta atividade económica nem todos temos o discernimento de pôr a vida em risco para nos mantermos in business. Importante ressalvar que nem todo o narcotraficante é um ganancioso capitalista e uma grande maioria deles se vê, por força do modelo social e das dificuldades económicas, preso a esta referência de sucesso.

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Como em qualquer negócio, o narcotráfico funciona num sistema de pirâmide: os de baixo correm da bala dos concorrentes diretos, os de cima mergulham nas piscinas de Reais uns dos outros. Não é provável que Sílvio Berlusconi (reconhecido magnata, promotor de festas particulares animadas por prostitutas e, até 2011, presidente da Itália) tenha clones espalhados por todo o Brasil. Expectável é que quem controla o poder nesses regimes Democrático-Liberais não se faça rogado em ganhar mais um quinhão. Como inteligentemente cantava Bezerra da Silva: ”Malandro é malandro e mané é mané!”

O poder do Narcotráfico é aquele que todos desejamos, mas que sabemos ser injusto para quem tem de conviver com ele. E aqui é que a coisa se torna complicada de aceitar. 

Soluções precisam-se!

Como poderemos, então, resolver o problema que representa o Narcotráfico? Em primeiro lugar, temos o direito de desconfiar que o poder público faça qualquer coisa nesse sentido. O que cada um de nós pode fazer, acredito, passa por ações tanto pontuais como projetadas. Seguindo a “agenda” deste blogue, o direito à educação é um pilar fundamental da inclusão dos excluídos. É um problema de falta de referência e escolha, podemos concluir. Todos podemos contribuir no sentido de propagar a literacia e o livre-pensamento, através de iniciativas de carácter sócio-cultural e a solidariedade popular, para criar esses outros modelos.

Efectivamente, se olharmos atentamente a História, vemos que não houve qualquer progresso nas sociedades que não passasse por um movimento colectivo claramente guiado por ideais de solidariedade e equidade sócio-económica. Foi assim nas Revoluções Francesas (passagem do monopólio real para o livre-mercado), Russa (do monopólio czarista para a democracia operária e economia de estado), Cubana (passagem da ditadura pró-estadunidense e uma economia de estado protagonizada por um poder burocrático com carácter sectário), Portuguesa (regime ditatorial para a Democracia-Liberal/livre-mercado), e por aí vai. O Brasil precisa de um momento histórico desta envergadura e, para isso, devemos contar todos uns com os outros e connosco próprios.

Conclusão

Conto um dia que contem comigo para contar outra História. O caminho faz-se caminhando e todos os dias são bons para influenciarmos activamente a realidade que nos rodeia. Estarmos seguros que não há poder nenhum que consiga derrotar o movimento coletivo e organizado do povo fustigado por esta agressão quotidiana às nossas liberdades e emancipação é apenas o primeiro passo no caminho das soluções encontradas em conjunto. Perseverança e clarividência são características essenciais a quem marcha hoje pelas ruas do Brasil. Resolução e Unidade serão as únicas que, no futuro, trarão algo melhor.

Dica de filme para refletir sobre a guerra do narcotráfico:

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