Até onde vai seu feminismo?

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Feministas sim, mas nem por tudo, nem por todas. Incompletas.

Não quero criar encrenca nem criticar da boca pra fora: se faço esse texto é porque realmente acredito que tem algo errado entre xs feministas e é preciso consertar antes que sejam criadas lacunas no movimento. A luta está incompleta e radicalmente fragmentada.

Baseio tudo que aqui escrevo nas observações que tenho feito entre os grupos do segmento. Vou me explicar.

Uma por todas, mas nem todas por uma

As pautas do feminismo são incontáveis, seguindo todas a mesma linha e o mesmo objetivo: a emancipação da mulher / a igualdade de gênero conquistada através da aquisição dos direitos que nos faltam, foram tomados ou negligenciados. Aí está incluso a luta contra todo tipo de machismo, os direitos trabalhistas, os direitos individuais, de liberdade, etc, etc, etc.

Uma das pautas de luta muito conhecidas – e que causa comichão em tanta gente – é o aborto. O direito à vida, ao corpo e à escolha. Ótima pauta, por sinal. Mas tenho notado um comportamento estranho que parece estar surgindo (e se agravando) a partir desse ponto. É mais ou menos assim:

  1. Uma feminista se revolta com os pensamentos taxativos da sociedade que relacionam a mulher diretamente com a vontade de ser mãe – como se fosse algo obrigatório, tornan quase numa aberração aquelas mulheres que não sentem o mesmo (“como assim você não quer ser mãe?”, “isso passa depois de certa idade”, “você é louca, a mulher nasceu pra isso”).

  2. Tal feminista toma parte na luta contra esse padrão, passando a militar contra essa ideia de obrigatoriedade procriativa e a favor do direito de escolha de ser mãe ou não.

  3. Cada vez mais indignada com comentários e fatos recorrentes que reforçam aquilo contra o que luta, a feminista absorve essa frustração e passa a repudiar radicalmente a ideia de ser mãe. Diz explicitamente que não quer e não vai ser.

Veja bem, não estou falando de mulheres que nunca se reconheceram na figura materna, que nunca se viram ou desejaram mães. Estou me referindo às mulheres que não tinham qualquer objeção com a questão da maternidade (eram favoráveis ou indiferentes), mas passaram a repudiá-la depois de “passar raiva” com seu objeto de luta.

É bizarro, mas é o que de fato parece estar acontecendo. Fossem poucos os casos e eu nem comentaria.

Agora você me pergunta: por que você se importa com isso?

Feminista: você está esquecendo de uma parcela da luta!

Não, eu não acho que, pelo exposto acima, o feminismo vá fazer com que as mulheres fiquem todas revoltadas, se recusem a ter filhos e a humanidade entre em extinção. Não sou nenhum Malafaia da vida. A questão é: o feminismo existe para a mulher. Toda mulher. Toda a mulher. Todas as mulheres. Toda sua vivência, não só até certo ponto ou só na teoria. E o fato é que existem lutas a ser travadas pelo feminismo que estão assentadas nas fases da maternidade (gestação, pós-parto, vivência da mulher como mãe).

Eu não preciso ser uma feminista negra para lutar em prol das mulheres negras. Não preciso ter sido violentada para lutar contra as violências de gênero. E a mulher feminista não precisa estar gestante ou ser mãe para lutar pelas pautas feministas que abarcam esse ciclo. Ou precisa? Se o feminismo não abarca essas mulheres, então não abarca todas as mulheres. A luta está incompleta.

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Vejo muitas feministas lutando pelo aborto. Não vejo o mesmo número nem a mesma empolgação lutando pela humanização do parto, por exemplo – aliás, vejo minorias que estão envolvidas nesse assunto lutarem por isso, sem o apoio das outras. Vejo muitas lutando contra o estupro e a violência doméstica, mas não vejo o mesmo número, o mesmo apoio e a mesma motivação lutando contra as violências obstétricas que efetivamente existem, que traumatizam e que matam em todo o mundo (com esse sistema de saúde que temos no nosso país maravilhoso, então, nem preciso comentar!).

É aqui que eu pergunto: mulheres feministas, vocês desconhecem a causa ou não procuram saber? Vocês se omitem ou lutam só por aquilo que vem antes? Deixarão para lutar por essas mulheres, grávidas e mães, quando (e se) estiverem no lugar delas? Essa discussão é necessária! Absolutamente necessária. É um tipo de violência, é proveniente do machismo e de uma estrutura capitalista e coorporativista existente na “máfia” médica. Isso mata milhares de mulheres por ano, indiscriminadamente. Mata, humilha e traumatiza como é o aborto que se faz diferenciado para mulheres pobres e mulheres ricas. Mata, humilha e traumatiza como os tabus machistas contra os quais lutamos.

A mulher feminista que restringe sua luta ao aborto, aos direitos trabalhistas, ao racismo e à transfobia, está limitando a sua militância e está, sim, sendo omissa para com as outras. São falhas que existem entre as ativistas e que só não criam lacunas no movimento porque ainda existem aquelas que o integrarão posteriormente, quando fizerem parte desse pequeno grupo de mães e grávidas confrontadas pela péssima qualidade do serviço público de saúde e a cultura machista e capitalista que nos transforma em meros objetos interferindo diretamente numa fase belíssima das vidas das mulheres, que é a gestação, e num momento decisivo de suas vidas (e de outrém), que é o parto.

Convido, pois, as feministas a se inteirarem desse assunto e serem solícitas às outras mulheres, às outras companheiras de luta que têm sido marginalizadas dentro de tantas pautas que não são mais nem menos importantes que esta aqui exposta.

Todo direito às mulheres que não desejam a maternidade, mas que não limitem nem sejam omissas à luta: o feminismo é a luta pela libertação de todas as mulheres, não por uma parcela delas.

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2 comentários

  1. Ideias feministas sempre são um PÉSSIMO EXEMPLO, tanto para mulheres quanto para homens, e isso têm que ACABAR como QUAISQUER TIPO DE FORMAS DE FEMINISMO. Isso prejudica os VALORES MORAIS, incluindo a HETEROSSEXUALIDADE (união entre homem e mulher, mesmo que em relações sexuais), os VALORES CRISTÃOS E RELIGIOSOS, as FAMÍLIAS, os VALORES ÉTICOS, enfim, TUDO QUE É DE MAIS VALIOSO EM NOSSAS VIDAS. O FEMINISMO é uma ideologia, mesmo que politicamente, de EXTREMA-ESQUERDA, e qualquer tipo de ideologia como esta, tem que ser EXCLUÍDA da sociedade. VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER é “PALAVRÃO”. Existe casos de VIOLÊNCIA CONTRA O HOMEM, tudo CULPA DO FEMINISMO, que deixa até MULHERES COVARDES, IMPUNES PELAS RUAS e aceitas pela sociedade. UM ABSURDO ISSO. MULHERES, MENINAS E ADOLESCENTES, que por USAREM ESSAS ROUPAS COLADAS AO CORPO, CAVADAS E GOSTOSAS, como CALÇAS, BERMUDAS E SHORTS (jeans, legging, de helanca, de lycra, ou qualquer outro tecido COLANTE), BLUSAS DE MALHA, BLUSAS DECOTADAS, ROUPAS DE ACADEMIA OU DE GINÁSTICA, e até BIQUINIS GOSTOSOS na PRAIA ou na PISCINA, no VERÃO ou em qualquer época do ano, quando são alvos de cantadas, tipo “fiu-fiu”, “GOSTOSA”, “DELÍCIA”, em vez de levarem na BRINCADEIRA, na DIVERSÃO, até mesmo numa RELAÇÃO SEXUAL, ficam aí achando RUIM, exigindo respeito, agredindo e até denunciando. E ainda por cima pedirem uma lei que as proteja? Por mim, ELAS SÃO LÉSBICAS, e LÉSBICAS são MISERAVELMENTE INFLUENCIADAS PELO FEMINISMO, que é uma COISA SATÂNICA, por isso sempre falo: FEMINISMO SATÂNICO, porque É SATÂNICO. E ELAS NUNCA FORAM ROMÂNTICAS como deveriam ser (cantar uma música romântica, espalhando toda aquela paixão, aquela sensação, al´m de escrever versos e poesias, falando da beleza masculina, do seu caráter, dar flores, bombons, chocolates, entre outras coisas mais, como fazem em vice-versa). Se ELAS continuarem com essas ATITUDES FRESCAS, de MODERNAS e VAGABUNDAS, vão acabar até APANHANDO desses homens, e até MERECEM SER ESTUPRADAS. E aquela estúpida e malfadada LEI MARIA DA PENHA, uma VAGABUNDA SEGREGAÇÃO DE SEXOS? É FEMINISTA como qualquer outra lei desse tipo, e devia ter sido REVOGADA E EXTINTA. NUNCA se deve criar uma lei para proteger classe social (negros, mulheres, homossexuais). NEGATIVO. Devemos ser IMPARCIAIS, pois somos TODOS IGUAIS PERANTE A LEI, E NÃO SE ADMITE DISCRIMINAÇÃO NENHUMA contra alguém de sua natureza. Esses MALFADADOS DIA INTERNACIONAL DA MULHER, DIA INTERNACIONAL DE COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES, datas comemorativas de altíssima depreciação, por OFENDER OS HOMENS, quando publicados na mídia, com presentes, homenagens, mimos, e tudo que é de campanha idiota, deviam ter sido EXTINTOS DA MÍDIA e ATÉ DO CALENDÁRIO. Se continuar assim, NADA IMPEDE QUE FUTURAMENTE NÃO TENHA MAIS NENHUMA MULHER PARA NAMORAR, PARA BEIJAR, PARA TER RELAÇÕES SEXUAIS, PARA CASAR, NADA, podendo ficar os homens sozinhos, sem ninguém. Portanto, ABAIXO AO FEMINISMO!!! Nós NUNCA DEVEMOS NADA À ESSA PORCARIA que é de EXTREMA-ESQUERDA. ISSO TEM QUE ACABAR AQUI E AGORA!
    Sou um recalcado que ODEIA mulheres, porque só levo fora de TODAS ELAS e quero que elas SE FODAM porque não consigo beijar ninguém! TAMBÉM QUERO TER PEPECA E TETAS, isso NÃO É só direito das FEMINISTAS SATÂNICAS!!

    • Machista e ignorante, a mulher não é um objeto sexual, e não é obrigada a ser romântica muito menos submissa aos homens. Temos direitos iguais, pelo menos lutamos por ele. Até imagino o porque vc leva tantos foras, seu comentário desnecessário, machista e homofóbico, altamente preconceituoso me repugna. Deveria se envergonhar de tal pensamento, mente fechada deveria acordar pro mundo, em que século vc vive? É por “pessoas” com pensamentos e ideologias como a sua que existe esse movimento político O FEMINISMO, com intuito de combater tal preconceito e desigualdade.

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